sábado, 21 de janeiro de 2012

Olhares

Foi a primeira vez que os olhos deles se cruzaram. Ela brasileira, ele espanhol ...
- E aí, guria? Seja bem vinda!
- Guria? Você não é espanhol?
- Soy, pero tenho una namorada brasuca acá – respondeu com aquele portunhol mais sem vergonha, mas que ela tanto gostava.
Naquele momento ela só sabia achar graça cada vez que o ouvia falar. Nada além disso.
 Foram se aproximando e ao término de cada dia de trabalho se sentavam com o grupo de amigos para compartilhar ‘una cerveza’.
Foi quando, no meio de um desses goles, os olhos deles voltaram a se cruzar. Porém, naquele momento, os amigos já não mais se reconheciam.
Preferiram seguir bebendo.
- Acho que vou embora.
- É, creo que también vou.
- Então vamos juntos.
Durante todo o caminho o silêncio não se fez presente. Não por terem muito que dizer um para o outro, mas por medo que a ausência de ruído os forçasse a agir.
- Me conta, brasileira, quais son tus planos acá?
- Acho que fico pelo menos 2 anos. Ainda tenho muito que fazer por aqui.
- Te admiro muito, brasileira. Você é bastante decidida.
- Pra algumas coisas sou, já outras ...
- Do que ta hablando?
- Não sabe mesmo do que estou falando?
- Pra ser sincero, acho que sei sim.
- Melhor mudarmos de assunto.
Aceleraram o passo. As mãos, que antes estavam abrigadas nos bolsos, agora pareciam desprotegidas; como se uma quisesse buscar a do outro. Porém, a cada pequena aproximação, o coração gelava e a mente os obrigava a repelir.
O sinal fechou.
Mais uma vez os olhos dele foram em busca dos dela. Respiraram fundo, e ele, sem perceber, deu um passo em direção à rua.
Passava um carro, e ela, sem muito tempo para pensar, gritou: Cuidado!
Assustado, ele olhou para trás e sorriu:
- Ta vendo o que você me faz passar, brasileira?
- Não entendi.
- Não mesmo?
- Não. Me explica?
- Eu estoy encantado por você, brasileira. Mas não sei lo que hacer.
- Não sei o que te dizer – respondeu rapidamente, antes que de sua boca saísse o pedido de um beijo.
- Onde você estaba há 2 anos atrás?
- No Brasil, aprendendo espanhol.
Pararam. Ela olhou para o lado e percebeu que o caminho da casa dele há muito havia ficado para trás.
- Você não mora pro outro lado?
- Moro, pero já vou virar logo ali.
- Nos vemos semana que vem?
- Claro.
E por mais que não quisessem, precisaram se despedir.
- Só um beijo – ela pensava.
- Só um beijo – ele pensava.
Optaram por um abraço e dois beijos ... um em cada canto da boca dela.
Cada um seguiu o seu caminho.
Após alguns passos ela olhou pra trás, e ele estava lá, parado, acompanhando o caminhar dela.
- Por que ele não vem atrás de mim?
- Por que ela não volta?
E no meio de tantas perguntas, a única alternativa que lhes restou foi sufocar a vontade, na tentativa de que os amigos pudessem se reconhecer quando seus olhos voltassem a se cruzar.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Uma vez TIRDA...pra sempre TIRDA!!!

Costumo dizer que ser TIRDA independe da sua vontade, é simplesmente um estado de espírito. Nasceu TIRDA, morrerá TIRDA. Isso é quase uma sina.
Já fui tantas vezes TIRDA, que até me perco nas minhas “vagas” lembranças. Na verdade, deveriam ser vastas lembranças...vastas seriam se eu não sofresse do que eu chamo de “amnésia vodkiniana”.
Enfim, lembro-me que, certa vez, algumas amigas e eu fomos até um conhecido clube da cidade pra curtir uma baladinha sertaneja. Lá chegando, pra variar, comecei a me empolgar e, entre um gole de cerveja e dois de vodka, eis que aparece o real motivo da minha presença naquele recinto...”E agora com vocês: Fulano e Sicrano”.
A euforia tomou conta de mim (meu coração “latiu”) e TIRDA que é TIRDA, quer ser esperta e, apoiada pelas fiéis amigas, fomos todas dançar bem próximas ao palco.
Cantamos, dançamos, bebemos e bebemos, entre suspiros e repetidas falas “Ai, como ele é gaaaaaaaaaaato” (sim, eu disse ELE e não eles, afinal, quem se importa que é uma dupla quando só um deles é gato), no ápice da “tirdice”, levei um memorável tombo.
Pagando de gatinha, fazendo caras e bocas para o cantor, me espatifo no chão, sem derramar uma gota sequer do líquido precioso que estava no copo, foi neste exato momento, que me dei conta que algo naquele cenário constrangedor havia me abalado.
Claro que não era a minha auto confiança que havia ficado abalada, afinal, a fé em si mesmo quando se está bêbado é inabalável.
Meu pulso, literalmente, pulsava...mesmo anestesiada pela vodka sentia a dor e, mesmo sem meus óculos, vi o inchaço. Acabara ali a minha aventura em busca do impossível.
Fui até o bar peguei um copo de gelo e me dirigi até o banheiro, sentei um pouco e coloquei o gelo no meu pulso, aplicando minhas técnicas apuradas de primeiros socorros.
Após minha tentativa frustrada de sedução, bêbadas e sem a mínima vontade de ir pra casa, tivemos a brilhante ideia de irmos ao hospital verificarmos se estava tudo bem com meu pulso.
Não preciso dizer que causamos na recepção do hospital, também não preciso dizer que a sorte que o médico me mandou pro raio x e não pra glicose...pensando bem, na glicose não teria sido xavecada pela enfermeira macho do raio x. Teria me poupado de mais esse detalhe naquela noite.
Moral da história: o cantor não quis, mas a enfermeira macho queria, mas aí era eu quem não queria...a vida é um eterno quem eu quero, não me quer! Ahahahahaha

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Você não sabe falar inglês? Então você é TIRDA também!

É isso mesmo que você entendeu! Sem inglês você é TIRDA!
Tive oportunidades em minha vida, fiz dois cursos de inglês na adolescência, mas como não utilizo no meu dia a dia, esta cultura caiu no esquecimento. O que eu não imaginava é que um dia eu fosse me sentir tão tirda por não saber falar inglês no BRASIL!
Pois é... fiz uma viagem recentemente em que a cada 5 pessoas que eu conheci 3 eram gringos... os outros 2 eram brasileiros mas tb falavam inglês fluentemente, inclusive minha amiga que me acompanhou na viagem. Portanto, como a maioria era gringo e quem não era também sabia falar inglês, exceto eu, toda a comunicação era nesta maldita língua... e a TIRDA aqui ficava rindo de tudo, até quando o assunto era triste!
Então resolvi sair na noite e conhecer algum brasileiro, para ter com quem conversar... mas acreditem... as pessoas mais interessantes que se aproximavam diziam: "Du iu espiki inglichi?"

Ahhhh não aguentava mais essa tortura!!! E minha amiga, coitada, quando tinha paciência ficava traduzindo algumas coisas pra mim, mas ai sim que eu me sentia MAIS TIRDA!
Conclusão: por não saber falar inglês eu perdi a oportunidade de fazer novos amigos e até de, literamente, conhecer outras línguas!!!
O importante é que já me inscrevi no curso de inglês e aprendi logo na primeira aula a dizer: "I don't know"
Boa sorte para mim! ;)

domingo, 1 de janeiro de 2012

...

- Oi, tudo bem?
- Eu to bem, e você?
- Também ... se importa se eu comer?
- Claro que não!
- Então, aproveita pra me falar sobre você, enquanto eu como.
- mmm...eu não tenho muito o que falar. Acho que você já deve saber de grande parte.
- É...não sei.

...
Uma hora e meia depois...

- Acho que vou dormir.
- Está com sono?
- Um pouco.
- Só espera mais um pouco.
- Por quê?
- Queria saber como você está.
- Mas eu já falei.
- Não...
- Eu estou bem...num processo ainda.
- Entendo.
- Tem dias que estou bem, outros nem tanto.

...
15 minutos depois...

- Você entendeu tudo o que falei?
- Entendi perfeito.
- Por que está chorando?
- Não estou triste. Não se preocupe.
- Mas se não ficou claro pra você, eu adoro saber como está.
- Obrigada por dizer.

...
Mais 15 minutos...

- Agora eu vou.
- Já vai dormir?
- Vou, e você?
- Também.
- Você é muito especial.
- Obrigado.
- Adorei a conversa.
- Já que você falou...eu também gostei muito.
- Boa noite.
- Boa noite.

...
5 minutos depois ela fecha os olhos e sonha com ele.